O importante é começar

Quando nos identificamos com um estilo de vida minimalista, a primeira coisa que conquistamos não é serenidade. Pelo contrário! De cara, passamos a questionar todos os nossos hábitos e repensamos todas as nossas escolhas. É um trabalho para a vida inteira, mas sem dúvida tende a ser mais difícil no início e a ficar mais fácil com o tempo.

Se você tem o seu canto montadinho em torno da sua rotina, não importa se mora sozinho, se divide a casa com um parceiro ou se mora com os pais, em geral a primeira coisa que dá vontade de fazer é um destralhe completo. Você pega os ensinamentos da Marie Kondo, respira fundo e começa.

Foi assim comigo. E não foi uma vez só, mas várias, num looooongo processo. Comecei pelas roupas. Separei o que não queria mais. Depois fiz de novo e de novo. E então fui percorrendo os outros espaços da casa. Só assim percebi como tinha comprado coisas de que não precisava, como tinha gastado dinheiro à toa, como tinha arrumado mais trabalho para mim — fosse limpando, arrumando ou agora na hora de me livrar daquelas coisas.

E com cada etapa concluída, as dúvidas só aumentavam. Será que vou precisar mesmo daquilo que mantive? Será que não é melhor comprar uma coisa boa e me desfazer de três ruins? Será este o melhor material mesmo? O mais durável? O mais sustentável? As perguntas não param mais…

Mas nesse mar de incertezas, uma certeza me atingiu com tudo:

Como a vida pode ser mais leve quando a gente tem menos coisas com que se preocupar.

E aí veio o sonho: e se um dia eu conseguir ser realmente minimalista? E se a minha vida couber numas poucas malas que eu possa levar para qualquer lugar sem grandes estresses? E se tudo na vida puder ser mais simples e descomplicado?

Depois que tomei consciência desse desejo, dessa certeza absoluta, as coisas foram ficando mais claras. Fui moldando a minha vida em torno dessa nova crença e desse modo de pensar.

Pra que comprar mais esse enfeite se do jeito que está já está bom? Pra que comprar esse tênis da moda se já tenho outros dois que vou usar nas mesmas ocasiões? Pra que investir nesse curso se não é mais isso que eu quero fazer da vida? Pra que me preocupar tanto em perder uma amizade se a pessoa não tem nada a ver comigo?

Não estou dizendo que está sendo fácil. Nenhuma grande mudança é essa moleza. Mas está fazendo sentido, como há muito tempo não fazia.

Quando você se vê fazendo coisas que vão totalmente contra aquilo em que acredita, aí sim é difícil, aí sim não faz sentido, aí sim te deixa confuso. Essa desconexão entre aquilo que está gritando dentro da gente e o que fazemos de fato, dia após dia, pode nos deixar doentes, deprimidos, sem forças.

Então, hoje eu quero fazer um convite. Pare um segundinho para pensar e pergunte a si mesmo:

O que é que você pode fazer hoje para alimentar a sua paixão, para reafirmar os seus valores e para colocar você no caminho daquilo que realmente quer para a sua vida?

Hoje estou rodeada apenas por aquilo que realmente amo – sejam coisas ou pessoas –, pois aprendi a selecionar somente o que é especial.

Marie Kondo, do livro A mágica da arrumação

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