Minimalistas e ricos?

Antes de sair da editora, em geral era eu quem coordenava a produção editorial dos livros do Gustavo Cerbasi. Sempre tive interesse por economia e finanças pessoais, então era um trabalho muito prazeroso — e fácil, já que ele escreve muito bem.

E qual não foi minha surpresa ao saber que o livro novo dele tinha tudo a ver com esta nova fase da minha vida! A riqueza da vida simples, lançado em maio, explica como o estilo de vida minimalista pode ser um caminho para a independência financeira.

Ok, ainda não cheguei à independência financeira de fato…

… mas sou praticamente um case vivo dessa proposta!

Quando eu era criança e ganhava uma micromesada, tipo 5 reais por mês, eu conseguia juntar aquele valorzinho durante alguns meses para comprar algo que realmente queria e que quase sempre iria durar bastante (ainda tenho meu minigrampeador branquinho que comprei nos anos 1990 e continua funcionando lindamente!).

Depois de dois anos sem conseguir passar para Comunicação numa universidade federal, tive que arrumar um emprego. Eu ganhava o salário mínimo do comércio, uns 180 reais por mês. Como ainda não tinha desistido da faculdade, poupava parte do salário para fazer um bom cursinho. Depois de 6 meses, eu não tinha o valor para bancar a mensalidade, é claro, mas paguei à vista todas as apostilas e o material que usaria ao longo do ano, além da inscrição em alguns dos vestibulares.

Então passei e fui morar no Rio, dividindo um apartamento com mais 5 pessoas em um bairro longe da faculdade, porque era o que dava pra bancar. Eu levava comida de casa e recebia 50 reais por semana dos meus pais para as despesas do dia a dia, ônibus, xerox, lanche, etc. E ainda devolvia uma parte quando a semana acabava.

Só eu pra fazer isso…

Quando me formei, não encontrava proposta de trabalho que pagasse mais que a bolsa do estágio e o que ganhava com frilas, então continuei estagiando, porque tinha começado uma segunda faculdade. Só que agora eu tinha que ir pra Niterói, então precisei procurar um novo apartamento. Como agora iria morar sozinha, bateu a insegurança. Será que iria conseguir me bancar só com estágio e frilas? Consegui, e sem apertos.

Lembro bem de quando abri a primeira conta no banco e tive direito a um cartão de crédito. Meu limite era de 300 reais! Era difícil não passar desse valor, mas o pior de tudo foi quando esqueci de pagar a fatura… Como eu não sabia como funcionava, deixei passar para pagar no mês seguinte, mesmo tendo o dinheiro. Quando veio a fatura eu quase caí pra trás. Como assim tinha que pagar aquilo tudo de juros e multa?

Não não não! Nunca mais! (leia no estilo Scarlett O’Hara)

E desde então não atrasei mais. E olha que pago tudo que posso no cartão.

Ok, não tive um início abastado nem nada, então tenho um pouco de mérito nisso. Mas também não tive nenhum grande imprevisto nem outras pessoas para sustentar nesse tempo, o que é a realidade de muita gente, talvez a da maioria das pessoas. O que quero ressaltar aqui é que eu só cheguei ao ponto de poder abrir mão do meu salário fixo e tentar uma nova vida ganhando menos porque eu soube me privar de algumas coisas para focar outras. É o que venho fazendo desde criança!

Voltando ao Cerbasi, o modelo de construção da riqueza apresentado no novo livro se baseia em fazer escolhas sustentáveis — no sentido de preservar a natureza também, mas sobretudo no sentido de coisas que vão se sustentar com o tempo, como decisões ponderadas que contribuam para o futuro que você deseja alcançar.

É poupar hoje para usar depois com mais propósito.

Todo mundo tem algum custo que pode reduzir, uma despesa que pode eliminar, uma bobagem de que pode se libertar. Pode ser migrar para um plano mais enxuto de celular, comer menos vezes fora, ir menos ao salão, usar menos o carro (ou nem ter carro), comprar livros em sebos, trocar coisas, pedir emprestado… A lista é infinita.

A ideia é manter o que te faz mais feliz, de acordo com seus valores pessoais, e com o que vai te levar aonde quer chegar. O que não se enquadrar nisso é supérfluo e não vai fazer falta no longo prazo.

Felizmente, a economia compartilhada está em alta, então não faltam alternativas para ajudar você a comprar menos e usar mais.

Mais experiências, menos posses!

Veja o exemplo de aplicativos bem-sucedidos como Uber, BlaBlaCar, Tem Açúcar?, Airbnb, Couchsurfing, DogHero e os milhares de grupos de trocas no WhatsApp e no Facebook. Fora os OLX, Mercado Livre e Enjoei da vida, já que outra tendência é valorizar os produtos usados para economizar dindim e preservar recursos naturais. (Vendi várias coisas do apê no Rio anunciando em grupos de Facebook e aqui comprei uma lavadora maravilhosa por menos da metade do preço de uma nova.)

Você não tem que abrir mão da qualidade de vida para ser rico. A ideia não é essa! Mas pense bem para onde está indo seu suado dinheirinho, porque, como diz o Cerbasi, é o nosso consumo, e não a nossa renda, que determina se teremos ou não dificuldades financeiras, se conseguiremos ou não realizar os nossos projetos.

Status é você comprar coisas de que não precisa, com um dinheiro que não tem, para mostrar a pessoas de quem não gosta que você é alguém que nunca será.

Gustavo Cerbasi, do livro A riqueza da vida simples

P.s: Este post ficou muito grande e eu ainda tinha mais a dizer. Se quiser trocar uma ideia ou dar uma contribuição, fica à vontade. Deixa uma mensagem aqui ou me encontra no Facebook ou no Instagram.

2 comentários sobre “Minimalistas e ricos?

    1. Obrigada, Gabs! Pois é, para algumas pessoas já é uma coisa mais natural. Eu nunca usei o Tem Açúcar e tinha até apagado do celular, mas depois que me mudei voltei a instalar, porque com certeza vou usar. Não tenho nem ferro de passar! rs

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