“Meu olhar em festa se fez feliz”

Desde a primeira vez que pisamos na Pipa, naquele distante outubro de 2013, vivemos um caso de amor com este lugar — e sem data pra acabar. Vou contar como tudo começou.

Depois de decidir onde passaríamos as férias daquele ano e de muita pesquisa, consegui ótimas passagens para Noronha, usando apenas milhas (bons tempos em que se conseguia ir pra lá com 10 mil pontos). Então, já que estávamos pelo Nordeste, achei que seria bom prolongar a viagem e marquei a volta por Natal, para ficar cinco dias na Praia da Pipa e dois na capital antes de voltar ao Rio.

Vivemos uma semana inesquecível em Fernando de Noronha, o lugar mais extraordinário do Brasil na minha opinião. Nenhuma foto ou filmagem faz justiça ao que você encontra lá e vê com os próprios olhos. Nada te prepara para aquelas paisagens. São praias de uma beleza absurda, total tranquilidade, harmonia e muito respeito à natureza.

Tá batido, é cafona demais, mas é o melhor conselho que vou te dar hoje: Noronhe-se. Não arrependa-se. E depois me conte-se.

Conhecemos pessoas ótimas e percebemos como é bom viver desarmado, sem medo de nada nem ninguém. Talvez hoje eu tivesse um pouco de medo dos tubarões (aquele caso do rapaz que teve parte do braço arrancada aconteceu em 2015), mas naquela viagem eu praticamente ia atrás deles, tentando fotografar uns pequenos que passavam por mim na Baía do Sueste.

Ficamos realmente tristes na hora de ir embora. Aí você imagina: o que pode superar aquilo tudo que vimos por lá? Nada, né? Não tem como.

Então pegamos o voo pra Natal e o transfer pra Pipa. Chegamos já à noitinha e o motorista entrou na ruazinha principal. Eu olhava pra um lado e pra outro e pensava: Que lugar é esse? Uma rua de mão única, com lojinhas e restaurantes de fachadas simples, muita gente andando sem pressa, música ao vivo em vários cantos. Me bateu alguma coisa por dentro.

É aqui. Achei o meu lugar.

Eu não tinha visto nem sequer uma praia, mas sabia que tinha algo muito especial ali, não me pergunte como nem por quê. O mais incrível é que eu não falei nada pro meu marido, sentado ao meu lado no banco do carro. Mas conversando depois ele me contou que sentiu a mesma coisa.

Só no dia seguinte faríamos os passeios e descobriríamos as praias, os golfinhos, as falésias, as lagoas, o pôr do sol, a gente, os camarões, os sorvetes, a nossa banda de rock favorita, a vibe. Foi uma paixão tão forte que acabamos cancelando as diárias em Natal e prolongando a estadia na Pipa até o dia do voo de volta. (Aliás, só fomos conhecer Natal na terceira vez que viemos pra esses lados.)

Eu sempre quis sair do Rio e me imaginava morando praticamente em toda cidade legal que conhecia ou que via pela TV. Já pensei em ir pra Paraty, Floripa, Penedo… Mil lugares fora do país também. Eu sabia que precisava dessa experiência. Mas foi depois de conhecer a Pipa que a ideia ganhou força mesmo e começamos a fazer planos e pesquisas.

Demorou um pouco. (2.031 dias desde aquela noite do amor à primeira vista, para ser exata, mas quem está contando?) Tivemos alguns contratempos no meio do caminho e precisamos adiar o sonho. Mas vou te dizer:

Tudo valeu a pena.

A busca por um cantinho pra chamar de nosso continua, e não está sendo fácil. Já vimos vários imóveis por aqui e até em João Pessoa, que também era uma possibilidade pra gente, já que é tão pertinho e todo mundo fala tão bem de lá. Adoramos o que vimos e sei que seríamos muito felizes naquela cidade, com mais estrutura e mais opções. Aí eu volto pra cá, saio pra andar na rua à noite e…

Aquela emoção do primeiro dia volta com tudo. Não existe nada igual.

Durante o dia as pessoas vão estar espalhadas pelas pousadas, pelas praias, pelos restaurantes, fazendo passeios mais distantes talvez. Mas quando chega a noite, todo mundo se aproxima, todo mundo se reúne. Quem tá no hostel e quem tá nos bangalôs de luxo; quem tá de Airbnb e quem tá no resort; quem já vai voltar pra sua cidade de carro e o povo local; brasileiros e estrangeiros; gatos e cachorros de rua…

Todos percorrem os mesmos espaços democraticamente e fazem essa mistura linda que se vê a partir do entardecer por aqui. É tudo meio simples, meio tosco, meio engraçado, meio hippie. Totalmente alto-astral, totalmente coração, totalmente Pipa.


P.s.: Não tivemos mais perrengues (amém!), mas tem tanta coisa acontecendo (visitas a imóveis, frila, faxina, pausa para a praia, chopinho, showzinho) que acabei demorando mais do que gostaria para postar. E infelizmente isso deve acontecer de novo.

P.s.: Ainda vivendo sem muita estrutura, com tudo temporário, o projeto vida minimalista segue devagar. Temos feito comida em casa e reduzimos bem o consumo de carne (já era um desejo nosso e aqui não encontramos muitas opções de qualidade). Estamos faxinando a casa com produtos mais naturais (aquele sabão caseiro que mencionei no post anterior e também vinagre e bicarbonato de sódio). E vou deixar para falar sobre cuidados pessoais na próxima vez.


“Já me fiz a guerra por não saber
Que essa terra encerra o meu bem querer
Que jamais termina o meu caminhar
Só o amor me ensina onde vou chegar…”

Trecho da música “Andança”, composta por Paulinho Tapajós, Edmundo Souto e Danilo Caymmi, e eternizada por Beth Carvalho

2 comentários sobre ““Meu olhar em festa se fez feliz”

  1. A cada postagem lida sinto um pouquinho mais de vontade de conhecer esse lugar que parece tão incrível! E olha que não gosto de sol, praia e calor, nem nunca senti vontade de conhecer o Nordeste… Mas o que me encanta é a simplicidade, o astral e a felicidade que transbordam de suas palavras. O tipo de vida que eu desejo ter um dia.
    Não se preocupe com a frequência das postagens, por mais ansiosos que fiquemos para ler, vocês ainda estão se adaptando, organizando a vida, e claro, vivendo uma nova lua de mel! Aproveitem bastante, curtam cada momento, cada experiência, e quando der, vem contar pra gente. Daqui a pouco tudo se ajeita e cria-se uma rotina.
    Mas por enquanto, PIPEM-SE! E sejam muito felizes!
    Beijos cheios de boas energias pra vocês! 😘

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *