Início da mudança

MartinaMang por Pixabay

Há quatro anos surgiu na editora onde eu trabalhava o livro que me ajudaria a dar o primeiro passo concreto na busca por uma vida mais simples e mais leve. Sim, acreditem: a pequenina e delicada Marie Kondo me deu uma sacudida e um empurrão daqueles bem fortes.

A especialista em arrumação criou o método KonMari, que sugere lançar um novo olhar sobre todos os seus pertences e manter apenas aquilo que te traz alegria. Ela já tem dois livros publicados no Brasil e também estreou em 2019 uma série no Netflix.

A mágica da arrumação me inspirou a colocar “ordem
na casa” — e nas ideias.

Só de ouvir os comentários da minha colega que estava coordenando a produção do livro eu já ficava inquieta. Antes mesmo de ler, eu fiz uma limpa lá em casa e separei bolsas e mais bolsas de itens que não me faziam feliz. Doei muita coisa e consegui vender outras. Após a leitura, tive que organizar um segundo bazar. A tralha parecia não ter fim!

Eu não sou uma pessoa naturalmente desapegada. Muito pelo contrário. Guardava tudo pra sempre. Durante a infância e a adolescência, eu sofria com a frustração de nunca ter as coisas que mais queria ter, de brinquedos a roupas. O orçamento da família sempre foi muito enxuto, então não sobrava dinheiro pra casa da Barbie, pra “Não esqueça a minha Caloi”, pra caixa de lápis de cor mais cobiçada, pra calça jeans da moda, pra mochila de marca…

Fui crescendo e sonhando com o dia em que eu alcançaria a tal independência financeira, quando faria o que eu bem entendesse com o dinheiro, compraria o que quisesse na hora que quisesse — mesmo que fosse parcelado no cartão.

Uma boa educação financeira e minha natureza pão-dura me ajudaram a sempre economizar e não gastar mais do que ganhava. E aos poucos cheguei aonde queria: tinha o meu próprio dinheiro e podia gastar com as roupas e “brinquedinhos” que eu quisesse. E então eu conquistei a felicidade…

Só que não.

O que eu conquistei foram um guarda-roupa abarrotado, cômodos com muitas coisas que eu nem usava e, se você pensar bem, até um apartamento maior do que um casal precisa para viver — fora a limpeza e manutenção disso tudo, a responsabilidade, o estresse das coisas por fazer.

Ok, isso soa como um problema de pessoa privilegiada. E é mesmo. Quem tem mais do que precisa ter não está passando necessidade, algo bem diferente da maioria da população brasileira. Mas acredito que exista uma responsabilidade social em reduzir o consumo.

Esse meu despertar para o “menos é mais” me levou a ler muito sobre minimalismo (e sobre isso falarei melhor em outros posts), mas também a me preocupar cada vez mais com sustentabilidade. Para mim, as duas coisas estão relacionadas. Se você consome com moderação, ajuda a poupar recursos naturais e gera menos impacto no planeta.

E uma vez que essas ideias fazem sentido na sua cabeça, olha, é um caminho sem volta. Eu me vi querendo reduzir tudo, gerar menos lixo, repensar a vida como um todo e me ater só ao que fosse necessário e ao que me fizesse feliz de verdade.

E eu podia ser feliz com menos.

Eu podia possuir menos coisas, consumir com mais consciência, ocupar um espaço mais adequado. Eu podia ganhar menos, porque ia gastar menos. Eu podia trabalhar menos para ter mais da coisa mais valiosa desse mundo: tempo.

Mas eu não teria como fazer isso tudo sozinha. Felizmente, meu marido, um minimalista nato, também viu sentido nessa mudança de estilo de vida e fizemos tudo juntos. Deixamos nosso apartamento, nossos empregos e (quase toda) a nossa tralha e vamos levar com a gente só aquilo que couber em algumas poucas malas.

Marie Kondo ficaria orgulhosa.

“Antes de assumirmos o controle sobre nossas coisas, precisamos mudar a relação que temos com elas. As coisas existem para nos servir, e não o contrário.”


Francine Jay, do livro Menos é mais


P.s.: Para saber mais sobre o trabalho da Marie Kondo:
– série Ordem na casa
– livro A mágica da arrumação
– livro Isso me traz alegria

9 comentários sobre “Início da mudança

  1. Mel, nunca imaginei que pudéssemos ter tantas coisas em comum. Menos ainda, que você podesse me ensinar tanto através de um blog!
    Eu sempre fui muito apegada a tudo! Eu tenho roupas que não cabem em mim há uns cinco anos, mas que estão guardadas “para o dia em que eu emagrecer”… Lendo seu texto já me deu vontade de fazer uma reformulação nas minhas coisas! Assim que voltar pra minha casa vou dar uma geral e manter somente o necessário. Chega de guardar coisas que não me servem e nem me fazem feliz.
    Eu já tinha ouvido falar da Marie Kondo, agora fiquei com vontade de ler os livros também! Obrigada por estar compartilhando suas experiências e fazendo a diferença.

    1. Raquel, eu que nunca imaginei que pudesse ensinar algo a você, essa mulher empoderada! Muita gentileza sua dizer isso. Obrigada pelo carinho.
      Seu apoio foi fundamental para eu seguir em frente com o blog. Nunca vou me esquecer disso.
      Os livros da Marie Kondo são ótimos. Tenho certeza de que você vai adorar e de que causarão uma revolução na sua vida. Depois me conta.
      Um beijão!

  2. Apos assistir esses programas de arrumação da GNT, eu comecei ano passado a me desfazer de um monte de tralha aqui. E ainda falta. Hoje comecei uma outra parte do meu quarto. Eu também sou muito apegada as coisas, mas aos poucos estou conseguindo desapegar. E de uns tempos pra cá, comecei a pensar de depois de me aposentar, me mudar para o exterior, então quanto menos coisas eu tiver, melhor. Adorei o blog. Parabéns!!

    1. Não é incrível a quantidade de tralha que a gente acumula sem nem perceber? Mas pelo menos fica mais difícil cair nessa de novo. E realmente, quando a gente se muda que vê como seria melhor ter menos coisas pra levar. Obrigada pelo carinho

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