Liberte-se do jogo da comparação

dois cactos espinhentos, cada um em um plano

Nossa cultura nos diz que precisamos ter mais e mais coisas. Os comerciais nos estimulam a comprar o mais novo e melhor produto. Uma tendência natural nos leva a comparar a nossa vida com a daqueles ao nosso redor. Junte a isso tudo o fato de que temos um desejo intrínseco de impressionar outras pessoas por meio de nossas posses — quanto mais melhor. E assim temos a receita para o desastre e a decepção.

Todos os dias desperdiçamos uma quantidade de energia preciosa comparando nossos bens com os dos outros. Reparamos no presente que ela ganhou de aniversário, em qual celular ele carrega no bolso ou nas roupas da moda que todos os nossos amigos parecem estar usando.

No final das contas, acabamos desejando que tivéssemos mais. Mas ficar o tempo todo sonhando com as coisas dos outros e invejando o que eles têm rouba de nós a satisfação com o hoje.

Gastamos tanta energia mental pensando em tudo aquilo que ainda não possuímos que perdemos a capacidade de apreciar o que já temos. Isso faz com que a gente tenha a sensação constante de que está faltando alguma coisa — mesmo que haja tantos motivos para expressarmos gratidão bem na nossa frente.

Joshua Becker é o criador do blog Becoming Minimalist, de onde este artigo foi extraído. Ele é autor de quatro livros e fundador da The Hope Effect, organização sem fins lucrativos dedicada a mudar a vida dos órfãos em todo o mundo.
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Clique aqui para ler o post original em inglês.

O importante é começar

Quando nos identificamos com um estilo de vida minimalista, a primeira coisa que conquistamos não é serenidade. Pelo contrário! De cara, passamos a questionar todos os nossos hábitos e repensamos todas as nossas escolhas. É um trabalho para a vida inteira, mas sem dúvida tende a ser mais difícil no início e a ficar mais fácil com o tempo.

Se você tem o seu canto montadinho em torno da sua rotina, não importa se mora sozinho, se divide a casa com um parceiro ou se mora com os pais, em geral a primeira coisa que dá vontade de fazer é um destralhe completo. Você pega os ensinamentos da Marie Kondo, respira fundo e começa.

Foi assim comigo. E não foi uma vez só, mas várias, num looooongo processo. Comecei pelas roupas. Separei o que não queria mais. Depois fiz de novo e de novo. E então fui percorrendo os outros espaços da casa. Só assim percebi como tinha comprado coisas de que não precisava, como tinha gastado dinheiro à toa, como tinha arrumado mais trabalho para mim — fosse limpando, arrumando ou agora na hora de me livrar daquelas coisas.

E com cada etapa concluída, as dúvidas só aumentavam. Será que vou precisar mesmo daquilo que mantive? Será que não é melhor comprar uma coisa boa e me desfazer de três ruins? Será este o melhor material mesmo? O mais durável? O mais sustentável? As perguntas não param mais…

Mas nesse mar de incertezas, uma certeza me atingiu com tudo:

Como a vida pode ser mais leve quando a gente tem menos coisas com que se preocupar.

E aí veio o sonho: e se um dia eu conseguir ser realmente minimalista? E se a minha vida couber numas poucas malas que eu possa levar para qualquer lugar sem grandes estresses? E se tudo na vida puder ser mais simples e descomplicado?

Depois que tomei consciência desse desejo, dessa certeza absoluta, as coisas foram ficando mais claras. Fui moldando a minha vida em torno dessa nova crença e desse modo de pensar.

Pra que comprar mais esse enfeite se do jeito que está já está bom? Pra que comprar esse tênis da moda se já tenho outros dois que vou usar nas mesmas ocasiões? Pra que investir nesse curso se não é mais isso que eu quero fazer da vida? Pra que me preocupar tanto em perder uma amizade se a pessoa não tem nada a ver comigo?

Não estou dizendo que está sendo fácil. Nenhuma grande mudança é essa moleza. Mas está fazendo sentido, como há muito tempo não fazia.

Quando você se vê fazendo coisas que vão totalmente contra aquilo em que acredita, aí sim é difícil, aí sim não faz sentido, aí sim te deixa confuso. Essa desconexão entre aquilo que está gritando dentro da gente e o que fazemos de fato, dia após dia, pode nos deixar doentes, deprimidos, sem forças.

Então, hoje eu quero fazer um convite. Pare um segundinho para pensar e pergunte a si mesmo:

O que é que você pode fazer hoje para alimentar a sua paixão, para reafirmar os seus valores e para colocar você no caminho daquilo que realmente quer para a sua vida?

Hoje estou rodeada apenas por aquilo que realmente amo – sejam coisas ou pessoas –, pois aprendi a selecionar somente o que é especial.

Marie Kondo, do livro A mágica da arrumação

Encontre um minimalismo racional que funcione pra você

Flores lilases do Arizona, com um muro de uma construção em adobe em segundo plano

Algumas pessoas com quem eu converso ficam nervosas quando ouvem o termo minimalista. Na cabeça delas, logo surgem imagens de escassez, decoração sem graça e armários vazios. Então concluem, com razão, que essa não é uma boa maneira de aproveitar a vida. E não é mesmo.

Talvez seja por isso que prefiro usar o termo minimalismo racional, que me soa bem mais adequado. Se você entrasse na minha casa hoje, não iria deduzir imediatamente que tem um minimalista morando aqui.

Ao olhar para nossa sala de estar, você veria uma televisão, sofás, uma foto de família e um tapete. Em nosso armário perto da porta temos casacos, bonés de beisebol e alguns acessórios usados no inverno. No quarto das crianças: livros, trabalhos de arte e brinquedos no armário. Desde que decidimos nos tornar minimalistas há alguns anos, embarcamos numa jornada para definir o que isso significa para nós e como se encaixa em nossa vida.

Moramos num bairro residencial mais afastado do centro (o que chamam aqui de subúrbio). Temos dois filhos pequenos. Somos participantes ativos da comunidade. Adoramos entreter, mostrar hospitalidade e receber pequenos grupos da igreja em nossa sala de estar. Sou escritor e minha esposa é professora.

Embora não seja nada excepcional, nossa vida não é idêntica à de nenhuma outra família. E, se vamos nos tornar minimalistas, devemos encontrar um estilo de minimalismo específico para nós. Isso exige da gente fazer alguns questionamentos, realizar concessões, identificar o que mais valorizamos e ter a humildade de alterar a rota se necessário.

A sua prática particular de minimalismo vai ser diferente da prática das outras pessoas. E deve ser! Afinal, sua vida é diferente da delas.

Você pode ter uma família grande, uma família pequena ou morar sozinho. Talvez more num sítio, numa casa ou num conjugado. Pode ser que colecione antiguidades, selos ou tampas de garrafa. Pode gostar de música, cinema, literatura ou esportes. Talvez tenha apego por fotografias antigas, heranças de família ou cartas românticas de um grande amor.

Encontre um estilo de minimalismo que funcione para você. Um que não seja trabalhoso, mas libertador e baseado nos seus valores, desejos, paixões e pensamento racional.

Esteja ciente de que a sua definição não virá da noite para o dia. Vai levar tempo. E irá evoluir — até mesmo mudar radicalmente enquanto a sua vida muda também. Você vai perder em alguns aspectos para ganhar em outros. Cometerá alguns erros ao longo do caminho. E, assim, precisará de humildade para prosseguir sem desviar do seu foco.

Mas, por fim, você começará a remover as coisas desnecessárias da sua vida. E, quando fizer isso, encontrará espaço para promover intencionalmente tudo aquilo que mais valoriza.

Joshua Becker é o criador do blog Becoming Minimalist, de onde este artigo foi extraído. Ele é autor de quatro livros e fundador da The Hope Effect, organização sem fins lucrativos dedicada a mudar a vida dos órfãos em todo o mundo.
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Minimalistas e ricos?

Antes de sair da editora, em geral era eu quem coordenava a produção editorial dos livros do Gustavo Cerbasi. Sempre tive interesse por economia e finanças pessoais, então era um trabalho muito prazeroso — e fácil, já que ele escreve muito bem.

E qual não foi minha surpresa ao saber que o livro novo dele tinha tudo a ver com esta nova fase da minha vida! A riqueza da vida simples, lançado em maio, explica como o estilo de vida minimalista pode ser um caminho para a independência financeira.

Ok, ainda não cheguei à independência financeira de fato…

… mas sou praticamente um case vivo dessa proposta!

Quando eu era criança e ganhava uma micromesada, tipo 5 reais por mês, eu conseguia juntar aquele valorzinho durante alguns meses para comprar algo que realmente queria e que quase sempre iria durar bastante (ainda tenho meu minigrampeador branquinho que comprei nos anos 1990 e continua funcionando lindamente!).

Depois de dois anos sem conseguir passar para Comunicação numa universidade federal, tive que arrumar um emprego. Eu ganhava o salário mínimo do comércio, uns 180 reais por mês. Como ainda não tinha desistido da faculdade, poupava parte do salário para fazer um bom cursinho. Depois de 6 meses, eu não tinha o valor para bancar a mensalidade, é claro, mas paguei à vista todas as apostilas e o material que usaria ao longo do ano, além da inscrição em alguns dos vestibulares.

Então passei e fui morar no Rio, dividindo um apartamento com mais 5 pessoas em um bairro longe da faculdade, porque era o que dava pra bancar. Eu levava comida de casa e recebia 50 reais por semana dos meus pais para as despesas do dia a dia, ônibus, xerox, lanche, etc. E ainda devolvia uma parte quando a semana acabava.

Só eu pra fazer isso…

Quando me formei, não encontrava proposta de trabalho que pagasse mais que a bolsa do estágio e o que ganhava com frilas, então continuei estagiando, porque tinha começado uma segunda faculdade. Só que agora eu tinha que ir pra Niterói, então precisei procurar um novo apartamento. Como agora iria morar sozinha, bateu a insegurança. Será que iria conseguir me bancar só com estágio e frilas? Consegui, e sem apertos.

Lembro bem de quando abri a primeira conta no banco e tive direito a um cartão de crédito. Meu limite era de 300 reais! Era difícil não passar desse valor, mas o pior de tudo foi quando esqueci de pagar a fatura… Como eu não sabia como funcionava, deixei passar para pagar no mês seguinte, mesmo tendo o dinheiro. Quando veio a fatura eu quase caí pra trás. Como assim tinha que pagar aquilo tudo de juros e multa?

Não não não! Nunca mais! (leia no estilo Scarlett O’Hara)

E desde então não atrasei mais. E olha que pago tudo que posso no cartão.

Ok, não tive um início abastado nem nada, então tenho um pouco de mérito nisso. Mas também não tive nenhum grande imprevisto nem outras pessoas para sustentar nesse tempo, o que é a realidade de muita gente, talvez a da maioria das pessoas. O que quero ressaltar aqui é que eu só cheguei ao ponto de poder abrir mão do meu salário fixo e tentar uma nova vida ganhando menos porque eu soube me privar de algumas coisas para focar outras. É o que venho fazendo desde criança!

Voltando ao Cerbasi, o modelo de construção da riqueza apresentado no novo livro se baseia em fazer escolhas sustentáveis — no sentido de preservar a natureza também, mas sobretudo no sentido de coisas que vão se sustentar com o tempo, como decisões ponderadas que contribuam para o futuro que você deseja alcançar.

É poupar hoje para usar depois com mais propósito.

Todo mundo tem algum custo que pode reduzir, uma despesa que pode eliminar, uma bobagem de que pode se libertar. Pode ser migrar para um plano mais enxuto de celular, comer menos vezes fora, ir menos ao salão, usar menos o carro (ou nem ter carro), comprar livros em sebos, trocar coisas, pedir emprestado… A lista é infinita.

A ideia é manter o que te faz mais feliz, de acordo com seus valores pessoais, e com o que vai te levar aonde quer chegar. O que não se enquadrar nisso é supérfluo e não vai fazer falta no longo prazo.

Felizmente, a economia compartilhada está em alta, então não faltam alternativas para ajudar você a comprar menos e usar mais.

Mais experiências, menos posses!

Veja o exemplo de aplicativos bem-sucedidos como Uber, BlaBlaCar, Tem Açúcar?, Airbnb, Couchsurfing, DogHero e os milhares de grupos de trocas no WhatsApp e no Facebook. Fora os OLX, Mercado Livre e Enjoei da vida, já que outra tendência é valorizar os produtos usados para economizar dindim e preservar recursos naturais. (Vendi várias coisas do apê no Rio anunciando em grupos de Facebook e aqui comprei uma lavadora maravilhosa por menos da metade do preço de uma nova.)

Você não tem que abrir mão da qualidade de vida para ser rico. A ideia não é essa! Mas pense bem para onde está indo seu suado dinheirinho, porque, como diz o Cerbasi, é o nosso consumo, e não a nossa renda, que determina se teremos ou não dificuldades financeiras, se conseguiremos ou não realizar os nossos projetos.

Status é você comprar coisas de que não precisa, com um dinheiro que não tem, para mostrar a pessoas de quem não gosta que você é alguém que nunca será.

Gustavo Cerbasi, do livro A riqueza da vida simples

P.s: Este post ficou muito grande e eu ainda tinha mais a dizer. Se quiser trocar uma ideia ou dar uma contribuição, fica à vontade. Deixa uma mensagem aqui ou me encontra no Facebook ou no Instagram.

As 10 coisas mais importantes para simplificar na sua vida

A simplicidade traz equilíbrio, liberdade e alegria. Quando começamos a viver de forma simples e experimentar esses benefícios, passamos a nos perguntar: Em que outros aspectos da minha vida eu posso remover a distração e simplesmente focar no que é essencial?

A partir de nossa jornada pessoal e de muitas conversas e observações, chegamos a uma lista das 10 coisas mais importantes que você pode simplificar na sua vida hoje para desfrutar de um estilo de vida mais equilibrado e prazeroso.

1. Suas posses. Não nos damos conta de como o excesso de posses materiais complica nossa vida. Elas drenam nossa conta bancária, nossa energia e nossa atenção. Afastam a gente das pessoas que amamos e da possibilidade de levar uma vida fundamentada nos nossos valores. Se você investir um pouco de tempo para remover da sua vida todos os itens que não forem essenciais, não irá se arrepender.

2. Seus compromissos. A maioria de nós preenche os dias do início ao fim com compromissos: trabalho, cuidados com a casa, atividades dos filhos, eventos comunitários, responsabilidades religiosas, hobbies… a lista é imensa. Sempre que for possível, livre-se dos compromissos que não estejam alinhados com seus principais valores.

3. Suas metas. Reduza para apenas uma ou duas as metas às quais você vai dedicar seu esforço intencional. Ao fazer isso, você irá aprimorar seu foco e seu índice de sucesso. Faça uma lista das coisas que quer alcançar e escolha as duas mais importantes. Quando realizar uma delas, adicione outra à lista.

4. Seus pensamentos negativos. A maior parte das emoções negativas é completamente inútil. Ressentimento, amargura, ódio e inveja jamais melhoraram a qualidade de vida de nenhum ser humano. Assuma o controle da sua mente. Esqueça mágoas passadas e substitua pensamentos negativos por pensamentos positivos.

5. Suas contas e dívidas. Se as suas dívidas estão sufocando você, reduza-as. Comece hoje. Faça o que precisa fazer para tirar esse peso enorme dos seus ombros. Busque ajuda. Repense seu estilo de vida. Sacrifique os luxos de hoje pela liberdade de amanhã.

6. Suas palavras. Mantenha uma fala simples, clara e honesta. Não fale nada da boca para fora; seja autêntico. Fuja de fofocas.

7. Ingredientes artificiais. Evite gorduras trans, grãos refinados, preparados ricos em glicose e sódio em excesso. Minimizar esses ingredientes aumentará seu nível de energia no curto prazo e sua saúde no longo prazo. Além disso, se possível, diminua o consumo daqueles remédios comprados sem receita médica — permita que seu corpo se cure naturalmente em vez de criar uma dependência de alguma substância.

8. O tempo que passa diante de uma tela. Concentrar toda a sua atenção em televisão, filmes, jogos e tecnologia causa mais danos do que você imagina. A mídia pode reorganizar os seus valores e começar a dominar a sua vida. Ela tem a capacidade de exercer um impacto profundo em seu comportamento e em sua forma de ver o mundo. Infelizmente, quando você vive o tempo todo nesse mundo, nem percebe como essas coisas estão afetando sua mente. A única maneira de compreender completamente essa influência na sua vida é apertando o botão de desligar.

9. Suas conexões com o mundo. Nossos relacionamentos com as pessoas podem ser algo maravilhoso, mas fluxos constantes de distração são péssimos. Saiba a hora de dar um tempo nas redes sociais. Concentre-se no que é importante, não no que é urgente. Um fluxo constante de distrações de outras pessoas pode fazer com que a gente se sinta mais importante, necessário ou querido, mas sentir-se importante e conquistar importância são coisas completamente diferentes.

10. Suas tentativas de multitarefar. Pesquisas indicam que fazer várias tarefas ao mesmo tempo aumenta o estresse e diminui a produtividade. Embora realizar apenas uma tarefa por vez esteja se tornando praticamente uma arte perdida, aprenda a fazer isso. Faça uma coisa de cada vez. Capriche. E só quando a tarefa estiver concluída passe para a próxima.

Joshua Becker é o criador do blog Becoming Minimalist, de onde este artigo foi extraído. Ele é autor de quatro livros e fundador da The Hope Effect, organização sem fins lucrativos dedicada a mudar a vida dos órfãos em todo o mundo.
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